• QUEM SOMOS

    A Ordem da SantÍssima Trindade e dos Cativos foi fundada por São João de Matha, o qual teve esta inspiração enquanto celebrava a sua primeira missa no ano de 1193. Oitocentos anos depois, esta mesma inspiração e a sua obra continuam a nos interpelar! Os Frades Trinitarios são impelidos por um espírito apostólico que os fazem anunciadores da libertação aos mais pobres, aos abandonados e marginalizados, e sobretudo, àqueles cristãos em perigo de perder a fé, por causa de sua fidelidade ao Evangelho...

  • ESPIRITUALIDADE TRINITARIA

    A vida especialmente consagrada a Santíssima Trindade constitui, desde sua origem, um elemento essencial e característico do patrimônio da Ordem Trinitária. Desta consciência trinitária flui toda sua vida espiritual e litúrgica, religiosa, comunitária e apostólica, e sua permanente renovação...

  • ONDE ESTAMOS

    A Ordem da Santíssima Trindade, dividida em sete províncias religiosas, três vicariatos e duas delegações, está presente hoje na: Itália, Espanha, frança, Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, Porto Rico, Colômbia, Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Índia, Madagascar, Polônia, Gabão, Congo e Coréia do Sul. A missão dos religiosos trinitários, espalhados pelo mundo, é garantir a assistência a aqueles que mais necessitam: aos pobres, vítimas das diferenças sociais; aos cristãos perseguidos, vítimas de intolerâncias...

PENTECOSTES, PLENIFICAÇÃO DO MISTÉRIO PASCAL




No AT (Lv 23,15-21; cfr.: Ex 23,16; 34.22-23) Pentecostes é chamado SHAVOUT (semanas) que literalmente significa a festa das sete semanas, a partir do segundo dia da  PESSACH (Páscoa), daí o nome Pentecostes, que significa "qüinquagésimo dia". Tratava-se de uma das três festas de peregrinação para celebrar os frutos da colheita e para lembrar a revelação do Decálogo a Moisés no monte Sinai. Ainda hoje, os judeus no dia de Pentecostes costumam ler o Decálogo nas Sinagogas. Durante a leitura, todos ficavam de pé e a sinagoga era decorada com flores e plantas para lembrar que o monte Sinai, montanha seca e árida, explodiu em flores no momento da revelação do Decálogo. Vinha gente de toda a parte: judeus saudosos que voltavam a Jerusalém, trazendo também pagãos amigos e prosélitos. Eram oferecidas as primícias das colheitas no Templo.

No NT Pentecostes é descrito nos Livro dos Atos (2,1-13): os discípulos com Maria receberam o Espírito Santo predito pelos Profetas (Is 32,15-20; Ez 37,14, Joel 2,28ss) e por João Batista (MT 3,11; Mc 1,8; Lc 3,16), e prometido por Jesus (Lc 11,13;12,12; Jo 3,5-6; 7,39;14,7.26; 15,26; 16,13). Também no Pentecostes do NT está presente a ideia de colheita: as primícias da colheita aconteceram naquele dia, pois foram muitos os que se converteram e foram recolhidos para o Reino (At 2,41).

Aos Apóstolos Jesus tinha prometido que não os teria deixado sozinhos e que lhes teria enviado o Espírito (Jo 14,16,26), não se justificando, portanto, a perturbação que Jesus notara em seus rostos (Jo 14,1). Em Pentecostes a Igreja celebra a realização desta promessa. Pentecostes é, então, a plenificação da Páscoa, pois o próprio Jesus deixa entender que uma vez ressuscitado vai pedir ao Pai o envio do Espírito (Jo 16,7) e só então é que os Apóstolos vão entender realmente quem é Jesus, pois serão encaminhados para toda a verdade (Jo 16,13).

No Novo Testamento encontramos duas versões do acontecimento de Pentecostes, a de João, no mesmo dia da Ressurreição, e a de Lucas, cinqüenta dias depois. A versão de Lucas quer ressaltar a missão universal da Igreja, como sinal de unidade entre todos os povos convocados agora no novo Povo, unidade esta realizada pelo Espírito Santo. A versão de João quer ressaltar o princípio da vida nova surgida da Páscoa de Cristo, aproximando entre eles no tempo e no espaço, Páscoa e Pentecostes. É preciso constatar também que todo o evangelho de João exige como sua conclusão um Pentecostes; com efeito desde o início é feita a promessa: haverá um batismo no Espírito Santo (Jo 1,33), promessa esta confirmada e detalhada no diálogo com a samaritana (Jo 4,14).

Pentecostes, mesmo em sua própria dimensão pneumatológica é, sobretudo, um mistério cristológico, pois o envio do Espírito está em função da compreensão do mistério de Jesus, como explica Pedro no primeiro anúncio da Ressurreição: “Exaltado à direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito Santo e o distribuiu conforme vedes e ouvis” (At 2,33).

Mas é um mistério cristológico também porque o Espírito enviado não é senão o “Espírito de Jesus”, que ele possui em plenitude (Jo 1, 33; cfr. 1Sm 16,32), o Espírito do Filho, e ainda porque este Espírito é derramado sobre a Igreja que é Corpo de Cristo. Aliás, somos batizados no Espírito para formarmos o Corpo, a Igreja, Corpo de Cristo, como diz são Paulo.

O próprio Jesus esclareceu a função do Espírito, quando afirmava que “Ele (o Espírito) vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês” (Jo 16, 14) e “ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse” (Jo 14, 26), e “encaminhará vocês para toda a verdade (Jo 16,13).

A estrita relação entre o Espírito e Jesus, levou os Padres a fazer uma ligação entre Jesus, o Espírito e o Batismo: a função do Espírito é fazer do batizado um conformado, um configurado com  Cristo na linha de são Paulo que falava de in-corporação ao Cristo.

O trinômio Páscoa-Pentecostes-Batismo, sobretudo na antiga Iniciação - uma única celebração em três ritos = banho-crismação-Eucaristia - levou os Padres a falar de plenificação da Páscoa no Pentecostes e de plenitude do Batismo na Confirmação, justamente pela ação do Espírito. No centro de tudo está o batismo: a ele fazem referência a Páscoa e o Pentecostes. Esta centralidade voltou à tona, na teologia e na espiritualidade, com o Concílio Vaticano II. É este o horizonte da vida cristã.

Reviver hoje Pentecostes significa voltar a esta fonte: o batismo, pela ação do Espírito nos configura com Cristo e, na Confirmação, o mesmo Espírito leva à plenitude esta configuração. Esta realidade nada mais é do que a santificação, pois ser configurado com Cristo significa revestir-se dele, assumindo suas feições de Filho querido no qual o Pai encontra seu agrado (Mt 3,7).

O nosso caminho para a santidade, cujo apelo foi retomado com o tempo de quaresma, num processo de conversão contínua, recebe uma força especial que nos vem do Espírito do Ressuscitado, que é o Santificador. A “função” do Espírito Santo é de nos aproximar sempre de Cristo até nos revestir dele. Passar, como diziam os Padres gregos, da imagem à semelhança de Jesus em nós e, então a configuração com ele será perfeita: a isso somos chamados! Este é o caminho para a santidade que realizamos com a força do Espírito, a “força do alto”. 

Não podemos esquecer que esta é a vocação de todo batizado: a vocação universal à santidade (LG 40). Para o Concílio Vaticano II a santidade tem uma dúplice dimensão: a eclesial, pelo fato de pertencermos à Igreja somos chamados à santidade, e cristológica, pois é comunicada à Igreja por Cristo e é definida como “união perfeita com Cristo” (LG 50), mas ela é realizada pelo Espírito Santo, o Santificador.

Na vida religiosa esta vocação é retomada e, pela profissão dos conselhos evangélicos, é levada à plenitude pela força do mesmo Espírito, invocado expressamente com o canto da seqüência no momento da profissão. Como lembram as Constituições da nossa Ordem: “A profissão religiosa exprime mais plenamente a consagração batismal... para que se dediquem à santificação pessoal e ao bem da Igreja”  (nº 11). O apelo à santidade “com ânimo alegre e prazeroso” é feito também no nº 36 das mesmas Constituições, onde é lembrada, mais uma vez sua ligação com o batismo. A vida segundo o Espírito, sobre a qual são Paulo insiste como um refrão é o objetivo da nossa vida. Vida segundo o Espírito e vida em Cristo são expressões que equivalem em São Paulo, pois é movidos pelo Espírito que nos conformamos ao Cristo (Constituições, nº 36).

Necessitamos de ser “movidos pelo Espírito” porque vivemos em tensão entre as nossas tendências naturais e as exigências da graça  e, sem a sua ação, não conseguiríamos tender à santidade. Por isso, a vida segundo o Espírito exige de nós, junto com a graça, vigilância, prudência, perseverança e generosidade, numa palavra: a santidade é graça e esforço de todo dia e de cada momento.  É esta a finalidade da vida religiosa, antes mesmo de qualquer apostolado, o qual, sem uma fundamentação na vocação para a santidade pessoal e de outrem, a própria ação apostólica seria destinada ao fracasso (NMI, 30).

A vida religiosa, com seu ritmo de vida comunitária e apostólica, levando à perfeição a vocação batismal, é um caminho para a santidade; e nós entramos nela por este motivo. Isso não é isento de sacrifício, pois exige mística em tudo aquilo que fazemos: oração pessoal e comunitária, intimidade com a Palavra de Deus, caridade fraterna num relacionamento indulgente e de comunhão - pois o que conta é o laço que nos une -, generosidade nos atos comunitários que sempre devem ter a precedência em tudo, mesmo diante dos compromissos pastorais. Todo ato comunitário é celebrativo da vida em fraternidade.

Nós religiosos somos testemunhas de que “a Igreja é a revelação do Espírito Santo no amor mútuo que nos leva ao Pai por seu Verbo encarnado”, como se expressava o teólogo ortodoxo Khomiakov e, nesta dimensão trinitária, nós nos reconhecemos perfeitamente. Mas esta realização deve acontecer, em primeiro lugar, entre nós, através da vida fraterna como testemunho da presença e da ação do Espírito do Ressuscitado em nós e entre nós.

Para a reflexão

- Como o horizonte da santidade está presente em minha vida?

- Em que medida o meu caminho para a santidade está beneficiando os meus confrades?

Pe. frei Vincenzo Frisullo
Ministro conventual