• QUEM SOMOS

    A Ordem da SantÍssima Trindade e dos Cativos foi fundada por São João de Matha, o qual teve esta inspiração enquanto celebrava a sua primeira missa no ano de 1193. Oitocentos anos depois, esta mesma inspiração e a sua obra continuam a nos interpelar! Os Frades Trinitarios são impelidos por um espírito apostólico que os fazem anunciadores da libertação aos mais pobres, aos abandonados e marginalizados, e sobretudo, àqueles cristãos em perigo de perder a fé, por causa de sua fidelidade ao Evangelho...

  • ESPIRITUALIDADE TRINITARIA

    A vida especialmente consagrada a Santíssima Trindade constitui, desde sua origem, um elemento essencial e característico do patrimônio da Ordem Trinitária. Desta consciência trinitária flui toda sua vida espiritual e litúrgica, religiosa, comunitária e apostólica, e sua permanente renovação...

  • ONDE ESTAMOS

    A Ordem da Santíssima Trindade, dividida em sete províncias religiosas, três vicariatos e duas delegações, está presente hoje na: Itália, Espanha, frança, Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, Porto Rico, Colômbia, Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Índia, Madagascar, Polônia, Gabão, Congo e Coréia do Sul. A missão dos religiosos trinitários, espalhados pelo mundo, é garantir a assistência a aqueles que mais necessitam: aos pobres, vítimas das diferenças sociais; aos cristãos perseguidos, vítimas de intolerâncias...

SÃO JOÃO BATISTA DA CONCEIÇÃO

14 de fevereiro
São João Batista da Conceição
Reformador da Ordem Trinitária


João Garcia, quando ainda jovem universitário, era conhecido como “o santo rapaz”. Foi um dos grandes reformadores que ilustraram a Espanha na época da Contra-Reforma católica.
A intrépida Santa Teresa d’Ávila, passando por Almodóvar del Campo durante a epopéia de suas fundações, hospedou-se na casa de Marcos Garcia e Isabel Lopez. O casal pediu-lhe que desse uma bênção aos seus numerosos filhos. Fixando os olhos sobre o pequeno João, disse-lhe a reformadora: “Estuda bem, Joãozinho, porque tu me imitarás um dia”. O que queria ela dizer? Numa segunda visita àquela casa, Santa Teresa pediu para ver novamente as crianças. Pondo a mão na cabeça de João Garcia, ela foi desta vez mais precisa: "Tendes aqui um filho que se tornará um grande santo. Ele será o pai e diretor de muitas almas e reformador de uma grande obra, que se conhecerá oportunamente". De fato, ele correspondeu às predições da reformadora do Carmelo.

João Garcia nasceu no dia 10 de julho de 1561, conterrâneo e coetâneo de outro grande santo, São João d’Ávila. Desde o berço foi inclinado à piedade; sua mãe, para aplacar o choro comum nas crianças, apenas mostrava-lhe uma imagem da bendita Mãe de Deus, e logo ele sorria embevecido.

Aos 10 anos de idade João Garcia já era um asceta: passou a usar um cilício no corpo, a tomar diariamente a disciplina e a comer de modo muito frugal. O mais impressionante para nós, do século XXI, é que isso tudo era feito com conhecimento dos pais, que nele viam uma alma eleita. Passou a dormir em uma prancha de madeira, tendo como travesseiro uma pedra. Um dia o pai, vendo-o nesse leito de penitência, caiu em prantos. Pegando o pequeno nos braços, levou-o para seu próprio leito, sem resistência.

Mas, tão logo o pai adormeceu, levantou-se e voltou para sua prancha e sua pedra. Assim agindo, seguia as luzes do Divino Espírito Santo. Exercia uma caridade extrema para com os pobres. Certo dia, deu a própria camisa a um mendigo que sofria febre e frio. Logo que este vestiu a camisa, viu-se curado.

Conhecido na universidade como "o santo rapaz"

Aos nove anos João Garcia soube que uma santa havia consagrado sua virgindade a Deus. Correu então a lançar-se aos pés de uma imagem da Virgem das virgens, e pediu-lhe que aceitasse também sua virgindade, concedendo-lhe a graça de viver sem a mais leve mancha.

João Garcia fez com brilho seus primeiros estudos com os carmelitas descalços de sua cidade, e o curso universitário em Baeza. Sua piedade atraía as atenções, e seus condiscípulos o conheciam como o santo rapaz. Mas nem todos. Sempre onde está o bem, aparecem os maus para odiá-lo e persegui-lo, como aconteceu com Nosso Senhor. Em certa ocasião alguns de seus companheiros de pensão, libertinos, procuraram provocá-lo com injúrias e sarcasmos. Como ele se mantivesse calmo e infenso às impertinências dos colegas, estes introduziram no quarto uma mulher de má vida para induzi-lo ao pecado. João Garcia, praticando de modo exímio as virtudes da castidade e da fortaleza, escarrou na face da miserável e foi para a catedral, indo lançar-se aos pés de uma imagem milagrosa de Nossa Senhora, renovando nessa oportunidade seu voto de virgindade.

Religioso trinitário por inspiração divina

Ainda adolescente, resolveu entrar o quanto antes para um convento. Mas tinha dúvidas entre os carmelitas descalços, então em seu primitivo fervor, e os trinitários, fundados alguns séculos antes por São João de Matha, mas que estavam infelizmente decadentes. Quando rezava para que Deus o inspirasse a fazer aquilo que fosse para sua glória, ouviu distintamente uma voz dizendo-lhe que daria mais glória a Deus entrando nos trinitários, o que fez aos 19 anos de idade.

Em seu noviciado, João Garcia teve por mestre o futuro santo Simão de Rojas. Embora por humildade não quisesse tornar-se presbítero, os superiores, vendo seus dotes tão extraordinários, o obrigaram a preparar-se para o sacerdócio. "Tinha recebido do Céu um talento tão raro, que Lope de Vega (escritor e poeta do século de ouro espanhol) o chamava 'o mais belo gênio da Espanha'; adquiriu tantos conhecimentos, que o Pe. Entrade, jesuíta, assegurava ser ele 'o homem mais erudito do seu século'", o que não é dizer pouco numa época em que os grandes espíritos não eram raros. Por sua eloquência, seus confrades o comparavam a São João Crisóstomo e a São Bernardo de Claraval.

Frei João Garcia frequentemente foi alvo de ataques dos demônios. Certa vez lançaram-no num poço, mas seu Anjo da Guarda o amparou na queda e o trouxe à tona. Também foi vítima dos homens. Em Sevilha, entregara-se à conversão de um grupo de mouros. Alguns deles se converteram, mas a maioria não. Tentaram mesmo matá-lo, envenenando sua comida. O religioso fez o sinal da cruz sobre o alimento, que se cobriu imediatamente de vermes. Os infiéis tentaram então assassiná-lo, mas Deus o protegeu, nada sofrendo.

Reformador da Ordem dos Trinitários

Frei João Garcia levava uma vida santa entre os trinitários quando, em 8 de maio de 1594, um capítulo geral reunido em Valladolid, para combater a decadência da Ordem, decretou que em cada província dela houvesse dois ou três conventos nos quais se praticasse a regra primitiva, como Santa Teresa o fizera no Carmelo. Frei João Garcia foi designado para o de Valdepeñas.

Entrou para essa reforma no início de 1597. Eleito superior, restabeleceu a regra primitiva, fez com que os religiosos trocassem o nome de família pelo de um santo - ele tomou o de João Batista da Conceição - e fez com que se observasse a vigília de todas as festas da Santíssima Virgem.

Em sua reforma encontrou inúmeros obstáculos por parte dos religiosos, que não queriam viver uma vida de penitência. Por isso viajou a Roma para obter a sanção do Santo Padre. Em Roma seus superiores o haviam precedido e minado o terreno, de maneira que ele se viu praticamente só. Não totalmente, pois recebeu o conforto e amparo de dois grandes santos: São Camilo de Lellis, fundador dos camilianos, e o grande São Francisco de Sales, então bispo eleito de Genebra, e que fora a Roma receber a sagração episcopal. Também este santo lhe predisse os sofrimentos pelos quais teria que passar, e que Deus abençoaria seus esforços. Quase dois anos depois, em 20 de agosto de 1599, o Papa Clemente VIII, com oBreve “Ad militantis Ecclesiae regimen”, aprovou e erigiu canonicamente os Trinitários Descalços e Reformados.

De volta à Espanha, Frei João Batista entrou na posse do convento de Valdepeñas. Mas à noite os religiosos antigos, que haviam deixado o convento por rejeitarem a reforma, invadiram o prédio, amarraram o santo com cordas e o arrastaram pelo claustro. Quiseram mesmo lançá-lo num poço, mas depois, dado seu estado de fraqueza, resolveram colocá-lo na prisão. Enfim, na manhã seguinte, temendo a repressão do poder civil, esses péssimos religiosos libertaram seu superior e fugiram.

Frei João Batista ficava assim só, com sua reforma. Mas em breve a Providência suscitou novos súditos, e logo se lhe juntaram 16 frades desejosos de uma vida mais perfeita. Após ter feito um ano de noviciado juntamente com os frades fiéis, Frei João Batista pronunciou de novo seus votos. A reforma assim estava salva.Em poucos anos foram fundados oito conventos da reforma, e em 1605 Frei João Batista foi eleito Provincial.

Enfim, Frei João Batista da Conceição, gasto pelos inúmeros trabalhos e penitências, chegou ao termo de sua vida. Com apenas 52 anos de idade, rendeu sua alma a Deus no dia 14 de fevereiro de 1613, exclamando com os olhos fixos no crucifixo: "Senhor, vós bem sabeis que eu fiz tudo que pude para executar vossas ordens".

No ano 1975, em 25 de maio, festa da Santíssima Trindade, na basílica de São Pedro, em Roma, o Papa Paulo VI o proclamou santo.

TRÍDUO A SÃO JOÃO BATISTA DA CONCEIÇÃO

Ó santo pai João Batista da Conceição, vós que desde a infância correspondestes fielmente às inúmeras graças divinas com uma vida virtuosa e inocente, unida a uma austera penitência, e reprimistes pois firmemente todas as concupiscências do mundo, tanto que pudestes repetir com o apóstolo São Paulo: “Eu estou crucificado ao mundo e o mundo a mim”: concedei-nos da Santíssima Trindade a graça de abraçarmos corajosamente o árduo caminho da mortificação, pelo qual poderemos vencer a carne pelo espírito, expiar os pecados cometidos e progredir rapidamente na vida da santidade. Sim, santo pai, nós confiamos que, sustentados e guiados por vós, evitaremos futuramente uma recaída no pecado e viveremos até a morte no amor e na amizade do nosso misericordiosíssimo Deus.
   Glória ao Pai...

V. Rogai por nós, São João Batista da Conceição.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos:
Ó Deus, que adornastes o sacerdote São João Batista da Conceição de admirável ciência divina e de zelo apostólico, concedei-nos, por sua intercessão, crescer no conhecimento de vosso Filho e viver sempre segundo o Evangelho, dando frutos abundantes de boas obras. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Ou
Ó Deus, que escolhestes São João Batista da Conceição e fortalecestes com invencível vigor para promover o primitivo espírito da Ordem e implantar um gênero de vida mais observante, concedei-nos que, seguindo seus ensinamentos e exemplos, nos renovemos constantemente em nossa espiritualidade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

***
V. Ora pro nobis Sancte Pater Joannes Baptista.
R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus:
Deus, qui ad majorem Sanctissimæ  Trinitatis gloriam propagandam beatum Joannem Baptistam Confessorem tuum admirabili spiritus fortitudine et invicta patientia roborasti: concede nobis famulis tuis; ut ejus imitationi jugiter inhærentes, gloriam assequamur æternam. Per Christum Dominum nostrum. Amen. 
ORAÇÃO PARA O DIA DA FESTA

Prostrados diante do vosso altar, o santo pai João Batista da Conceição, com sentimentos de forte arrependimento, nós confessamos que a nossa vida tem sido até agora muito diferente da vossa e a maior parte dela foi contaminada pelo pecado. Além disso, ao invés de reparar com a penitência, nos afastamos de tudo quanto se opõe a comodidade e a vaidade terrena. Mas hoje, cheios de confiança na vossa imensa caridade, vos suplicamos humildemente para que imploreis a Deus para nós a verdadeira dor de nossas culpas e uma constante perseverança na nova vida que resolvemos levar de agora em diante. Vós, porém, ó glorioso pai, conheceis a nossa fraqueza e os perigos que nos rodeiam: sustentai-nos, portanto, com vossa poderosa ajuda na nossa decisão, para que, reparando os males passados com uma verdadeira penitência, possamos daqui para frente, caminhar pela estrada das virtudes e chegar ao céu para louvar a Deus juntamente convosco por toda eternidade. Amém.
   Pai nosso...   Ave Maria...   Glória ao Pai...
   
ORAÇÃO A SÃO JOÃO BATISTA DA CONCEIÇÃO

Ó glorioso santo pai João Batista da Conceição, vós que, pela glória da Santíssima Trindade, com admirável coragem e invicta paciência superastes os obstáculos que o maligno e os homens vos impuseram na obra de restauração da Ordem Trinitária e, em recompensa desta vossa constante perseverança, recebestes a consolação de ver os filhos caminharem de acordo com o exemplo de seus Pais; alcançai-nos do Senhor o dom da fortaleza para triunfarmos sobre todos os obstáculos que o maligno, o mundo e a carne nos impõem no exercício das virtudes cristãs, e uma grande paciência para suportar as mortificações e as cruzes que nos vem de Deus e dos homens; para que, superadas as provas e conformados com a divina vontade, possamos conquistar o prêmio que Deus prometeu àqueles que, nas alegrias e nas fadigas de cada dia, permanecerão fiéis até a morte. Amém.