• QUEM SOMOS

    A Ordem da SantÍssima Trindade e dos Cativos foi fundada por São João de Matha, o qual teve esta inspiração enquanto celebrava a sua primeira missa no ano de 1193. Oitocentos anos depois, esta mesma inspiração e a sua obra continuam a nos interpelar! Os Frades Trinitarios são impelidos por um espírito apostólico que os fazem anunciadores da libertação aos mais pobres, aos abandonados e marginalizados, e sobretudo, àqueles cristãos em perigo de perder a fé, por causa de sua fidelidade ao Evangelho...

  • ESPIRITUALIDADE TRINITARIA

    A vida especialmente consagrada a Santíssima Trindade constitui, desde sua origem, um elemento essencial e característico do patrimônio da Ordem Trinitária. Desta consciência trinitária flui toda sua vida espiritual e litúrgica, religiosa, comunitária e apostólica, e sua permanente renovação...

  • ONDE ESTAMOS

    A Ordem da Santíssima Trindade, dividida em sete províncias religiosas, três vicariatos e duas delegações, está presente hoje na: Itália, Espanha, frança, Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Canadá, México, Guatemala, Porto Rico, Colômbia, Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Índia, Madagascar, Polônia, Gabão, Congo e Coréia do Sul. A missão dos religiosos trinitários, espalhados pelo mundo, é garantir a assistência a aqueles que mais necessitam: aos pobres, vítimas das diferenças sociais; aos cristãos perseguidos, vítimas de intolerâncias...

ALEGRAI-VOS, EXULTAI, REGOZIJAI-VOS! ESTA É A BELEZA!


2015 será o Ano da Vida Consagrada, por isso a Congregação para os Institutos da Vida Consagrada enviou uma Carta circular aos religiosos, na qual oferece uma reflexão a partir do magistério do papa Francisco.[1] O título já diz o teor da Carta: Alegrai-vos, e é composta de duas partes com cinco itens cada uma, e de uma conclusão, para orientar na reflexão. A primeira parte - Alegrai-vos,  exultai, regozijai-vos  - vai nos orientar na meditação de hoje.


A alegria é vivida como um dom messiânico por excelência (AT) e um dom do Espírito (NT) que é destinado a explodir num Aleluia cósmico. É esta a alegria que o papa quer apresentar e fazer descobrir ou redescobrir aos religiosos: ”Quero dizer-vos uma palavra e a palavra é alegria. Sempre onde estão os consagrados, sempre há alegria”.                  

O segundo item: “Esta é a beleza” é como uma conclusão e, ao mesmo tempo, um início de uma reflexão: “Esta é a beleza da consagração: a alegria, a alegria ...”. A alegria de levar a todos a consolação de Deus. “Não há santidade na tristeza, por isso não podemos nos entristecer como os outros que não tem esperança (cfr.1Ts 4,13). “A alegria não é ornamento inútil, é exigência e fundamento da vida humana:: no afã do dia a dia, todos tendem a alcançar e permanecer na alegria com a totalidade do ser. É a manifestação da satisfação, da realização, da felicidade que todos almejamos.

No mundo há um déficit de alegria. Nós consagrados não somos chamados a realizar gestos épicos nem a proclamar palavras altissonantes, mas a testemunhar a alegria que provem da certeza de nos sentirmos amados, da confiança de sermos salvos. “A nossa memória curta e a nossa experiência fraca nos impedem muitas vezes de procurar as “terras da alegria ... Temos mil motivos para permanecer na alegria. A sua raiz se alimenta na escuta crente e perseverante da Palavra de Deus. Na escola do Mestre se ouve: “a minha alegria esteja convosco e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11).

“Cada cristão, sobretudo nós, somos chamados a levar esta mensagem de esperança que dá serenidade e alegria: a consolação de Deus, a sua ternura para com todos. Mas, só podemos ser portadores, se experimentarmos pimeiro a alegria de ser consolados por Ele, de ser amados por Ele -não tenhais medo- o nosso Deus é o Senhor da consolação, o Senhor da ternura. O Senhor é Pai e Ele disse que procederá conosco como faz uma mãe com seu filho, com a ternura dela” (Is 66,12-13).

Pelo título do terceiro item: “Ao chamar-vos”, somos introduzidos na alegria que brota da resposta generosa ao chamado. “Ao chamar-vos, Deus disse-vos: ‘Tu és importante para mim, eu amo-te, conto contigo’. Jesus disse isso a cada um de nós! Disto nasce a alegria! A alegria do momento no qual Jesus olhou para mim. Compreender e sentir isso é o segredo da nossa alegria. Sentir-se amado por Deus, sentir que para Ele nós não somos números, mas pessoas; e sentir que é Ele que nos chamou”.

O episódio do jovem rico (Lc 18,22) nos instrui sobre a gratuidade da proposta divina e a livre resposta humana: “Ainda te falta alguma coisa, vende tudo que tens, distribui o dinheiro ... depois vem e segue-me”. Na última ceia, Jesus faz questão de lembrar aos Apóstolos: “Não fostes vós que me escolhestes ...” (Jo 15,20), sublinhando que a vocação é sempre uma iniciativa de Deus. Mas, ao mesmo tempo, é preciso dar uma resposta generosa: “vende tudo que tens ...”. Isso, lembra o papa, significa cumprir continuamente um ‘êxodo’ ... para centrar nossa existência em Cristo e no Evangelho, na vontade de Deus, despojando-nos dos nossos projetos, para poder dizer com são Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Somos convidados a “deixar as redes na praia, o banco dos impostos ... as veleidades dos zelotas entre as intenções do passado: são todos meios inadequados para estar com Ele”. Assim experimentaremos que “é bom pôr-se ao seguimento daquele Mestre que só tem palavras de vida eterna” (Jo 6,68).

É preciso parar a nossa alma no fotograma de partida: “A alegria do momento no qual Jesus olhou para mim”, e evocar significados e exigências subtendidos a nossa vocação: “é a resposta a uma chamada, a uma chamada de amor”. É como um renascer para a vocação, um “renovar o encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de o procurar dia a dia sem cessar”. Se trata de fazer a descoberta decisiva de são Paulo: Ninguém pode pôr outro fundamento a não ser Jesus Cristo (cfr. 1Cor  3,11). Esta relação com Jesus Cristo pede para ser alimentada pela inquietação da busca; ela nos torna conscientes da gratuidade do dom da vocação.

Pelo chamado, somos “Encontrados, alcançados, transformados”, nos lembra o título do quarto item da reflexão. É preciso reler nossa história pessoal e verificá-la no olhar de amor de Deus, porque, se a vocação é sempre uma iniciativa dele, a nós cabe a livre adesão. Com esta adesão nos colocamos a caminho, a caminho do renascimento; caminho que tem um nome, uma face, a face de Jesus: “Quem está em Cristo é uma criatura nova” (2Cor 5,17). A vida consagrada se caracteriza pelo seguimento de Cristo, que é “assumir o seu estilo de vida, adotar suas atitudes interiores, deixar-se invadir pelo seu espírito, assimilar sua lógica surpreendente e a sua escala de valores ...guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la, pois não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não o conhecer ”.

Tudo isso nos faz viver “Na alegria do sim fiel”, segundo o título do quinto item da Carta, pois “Quem encontrou o Senhor e o segue com fidelidade é um mensageiro da alegria do Espírito”. De fato, é somente graças a este encontro que “somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade”: a pessoa chamada é convocada a si mesma, ou seja, ao seu poder ser. Talvez não seja gratuito dizer que a crise da vida consagrada passa também pela incapacidade de reconhecer tal profunda chamada, também naqueles que já vivem tal vocação. “Vivemos uma crise de fidelidade, entendida como adesão consciente a uma chamada que é percurso, uma caminhada desde o seu misterioso início até seu misterioso fim ... Uma caminhada cotidiana, pessoal e fraterna, marcada pelo descontentamento, pela amargura que nos encerra na mágoa ... e então, se torna uma caminhada solitária ... e a nossa vida, chamada à relação, pode se transformar em terra árida desabitada”.

Neste contexto, “somos convidados a toda época a revisitar o centro profundo da vida pessoal, lá onde encontram significado profundo e verdade as motivações do nosso viver com o Mestre, discípulos com o Mestre”. Para que isso aconteça, é preciso lembrar o convite de Jesus a carregar a cruz, pois “Quando caminhamos sem a cruz, edificamos sem a cruz ou confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor”.

Esta “peregrinação interior” começa pela oração: “A primeira coisa necessária para o discípulo é estar com o Mestre”, ouvi-lo, aprender dele ... é o caminho que dura a vida inteira ...e é a fonte de fecundidade da missão. Cultivemos a dimensão contemplativa, mesmo no turbilhão dos compromissos mais urgentes e pesados. E quanto mais a missão chama para ir às periferias existenciais, tanto mais o coração se mantenha unido ao Cristo”.

Estar com Jesus forma para um olhar contemplativo da história ... que sabe discernir a sua presença para viver o tempo como tempo de Deus. Quando falta um olhar de fé, “a vida vai perdendo gradativamente sentido, o rosto dos irmãos faze-se opaco, tornando-se impossível descobrir nele o rosto de Cristo”. A fidelidade do discípulo passa e é provada pela experiência da fraternidade, lugar teológico, no qual somos chamados a nos sustentar no sim alegre ao Evangelho. Se trata de renovar e qualificar com alegria e paixão a nossa vocação para que o ato totalizante do amor seja um processo continuo.

[1] As fontes desta Carta são: Evangelii Gaudium, Homilias e discursos do papa Francisco nas reuniões internacionais dos Superiores Gerais, com os Seminaristas e noviços, aos capitulares das Carmelitas e dos Agostinianos, entre outros.


Pe. Frei Vicente Frisullo, OSST
Ministro Conventual de São Paulo